domingo, 11 de setembro de 2011

FOI ASSIM QUE FALEI A MAIS DE 100 JOVENS NA NOITE DA VIGÍLIA

Foi entre dúvidas e incertezas que o grupo de seminaristas nomeadamente: Abel Echamo Canada, Carlos Evaristo José e Cacildo Lourenço António, partiram para a esperada vigília dos crismandos da Paróquia da nossa Senhora da Conceição da Sé Catedral de Maputo. Digo incertezas porque tratando-se de jovens que se encontram na formação e vendo a hora em que estava programado o início da vigília, 21 horas, a única resposta certa na mente dos três jovens, logo à primeira foi: não vamos. Não nos deixarão sair. Não é possivil que as autoridades competentes do Seminário nos deixe sair. A incerteza pervaleceu até a manhã do dia 8 Setembro de 2011, isto é, até na manhã do dia progamado para a vigília. Como é óbvio, diante de incertezas, o cuidado de se preparar devidamente já não estava nos nossos planos. Porém, a experiência provou-nos o contrário. Pois, o que aconteceu não foi o que pensavamos. Fomos autorizados a tomarmos parte na vigília dos crismandos da Sé Catedral de Maputo, às 21h. Isto é, noite. E não noite Segundo a óptica do evangelista João. Portanto, é um caso isolado. Não é comum numa vida formativa. Mas aconteceu!
No entanto, além do júbilo que brotava do nosso âmago pelo presente de termos uma noite fora de casa, a dúvida começou a ter azos também em nós. Porque não sabiamos o que cada um de nós iria fazer durante a vigília. O programa não estava na nossa posse. Os contactos telefonicos às pessoas ligadas ao assunto não davam concisas informações, etc,etc. Um caos! A única coisa que cada um sabia é que teria um momento para discursar. Mas que período? Não tinhamos respostas. Já na tarde do próprio dia, isto é, na sexta-feira, é que ficamos sabendo com clareza, mas também de fontes não oficiais que o seminarista Canada meu colega de turma iria falar aos crismandos na vigília, do sentido do Sacramento de Penitência, o outro, falaria aos mesmos do sentiso do Sacramento do Crisma e eu, segundo a fonte, falaria aos jovens na vigília do sentido da vigília. Dianete desta luz verde à nível da informação, houve necessidade de melhorarmos os nossos textos. Leituar aqui, alí, e acolá. Determinação foi a palavra de ordem. E como o tempo não nos perdoasse, as horas para o início da vigília já se aproximavam. O nosso último encontro antes de partirmos, aconteceu às 18h:30min, onde dicidimos a hora de partida. E concordamos que 18h:55mim, era a melhor hora para sairmos à caminho da Catedral.
Alegres pela nova experiência que iamos ter e, auxilida pela vitória esmagadora que a team feminina de Basketball moçambicana nos davam naquela noite contra Runda nos jogos Africano, as luzes brilhantes da cidade das Acácias, a antiga cidade de Loureço Marques, actual Maputo, foi, é e será uma memoria eterna nas nossas mentes. Pontualmente às 19h:50min, já estámos apisar o pátio da residência paroquial, local que ia acolher o evento. E lá encontramos uma catequisanda que nos confirmou que a vigília teria o seu início às 21h. E agora? O que fazer? São ainda 19h? Esperar o Pároco, Pe. Jaime, voltar da Missa das 18h, que acabava de terminar e recebermos o programa da noite da vigíla foi o que decidimos em unanimidade. E sem demoras, o Padre chegou. Munido dos apararelhos sonoros para a efiméride jovenil daquela noite do dia 09 de Setembro de 2011, tudo dava a entender que seria uma noite memorável.
Sem rodeios, convidou-nos a entrarmos para o seu office. Uns pela primeira vez desde a criação do mundo (o meu caso). Outros talvez, vezes sem contas. Já não ermos só nós seminarista. Pois, juntara-se a nós uma mulher que de verdade não conheciamos antes da apresentação do pároco. Já no office, o Pe. Pediu aos presentes que cada um se apresentasse, começando pela única mulher até então presente. Já no acto da apresentação, disse ela que respondia pelo nome de Ivone Maria Maduela, mais conhecida por Ivoninha, da Paróquia da nossa Senhora do Amparo, licenciada em Catequetica, em Roma. O ritmo da apresentação continuou, seguindo a mesma formula usada por ela. Porém, com a exclusão da parte dos títulos, e servimo-nos da constante formula dos seminaristas: «sou x, sou seminarista». Em seguida, o Padre, teceu as devidas recomendações sobre o evento e distribuiu-nos o programa. Depois de lermos o folheto devidamente trabalhado e, depois de decobrimos o que cada um ia fazer, nós os três cochichamos: «o assunto é sério, e rimos». Esclarecidos no que seria da noite da vigília, fomos aos manjares. Ai meu Deus! Mesa repleta de iguarias. Só o nada é que faltava. Uma autêntca Ceia do Senhor. Festa.
Segundo o programa, a vigília teria o seu início às 21h:30min, com a chamada dinâminca da vigília, ou seja, o acolhimento e a marcação das presenças e apresentação dos oradores da vigília. No que diz respeito aos oradores, fomos no total seis oradores: dois Doutores, uma licenciada e nós seminaristas. Terminada a dinâmica da vigília, o Padre convidou o primeiro orador a usar da palavra para dizer aos mais de 100 jovens presentes na vigília: QUAL É O SENTIDO DA VIGÍLIA. Foi assim que pela primeira vez, falei a mais de 100 jovens numa noite de vigília.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

O QUE ESTÁ A FALHAR NA INICIAÇÃO CRISTÃ?




Introdução
A vida cristã exige sempre uma mudança radical da vida e uma conversão constante nesta vida peregrina rumo à pátria celeste. Pois, a fé e «a inserção na comunidade será gradual, mas constante, a fim de que possam ser evitadas frustrações e radicalismos»[1]. De facto, apesar da afluência massiva na Igreja para receber os Sacramentos de Iniciação Cristã é um caso evidente que nas nossas comunidades, verificamos que depois de receberem os Sacramentos de Iniciação Cristã (Baptismo, Eucarista e Crisma) muitos abandonam a fé cristã católica professada no acto da recepção dos mesmos Sacramentos embora alguns permaneçam fiéis. Por isso, a elaboração deste trabalho pretende tentar responder duas questões candentes na vida pastoral que preocupam a todos nós. Portanto, a nossa abordagem está confinada as perguntas: “Porquê é que depois de receberem os Sacramentos de Iniciação Cristã alguns permanecem fiéis e outros abandonam?”. E sendo que as fontes escritas sobre o assunto são escassas, apoiarmo-nos-émos nas orais. Para o efeito, vamos trilhar no esquema seguinte:
Introdução;
1. Fidelidade depois de recebidos os Sacramentos de Iniciação Cristã;
2. Infidelidade depois de recebidos os Sacramentos de Iniciação Cristã
Conclusão;
Bibliografia

1. Fidelidade depois de recebidos os Sacramentos de Iniciação Cristã
Para os que permanecem firmes nas suas igrejas são os que compreenderam o que na verdade pretendem seguir. Sentem que podem viver com sucessos permanecendo na sua igreja porque também cada um é salvo conforme a situação em que se encontra. O importante é corresponder as regras estabelecidas naquilo que a pessoa professa. Não é fazendo voltas de um lugar para outro pensando que encontrará o melhor, pelo contrário busca outros problemas que já não os tinha. As fraquezas são próprias dos homens nada de fugir. Eis a razão pela qual alguém chegou a afirmar: «Eu estou na igreja católica à 50 anos como casado canonicamente e até agora estou bem juntamente com a minha família porque nós confiamos na nossa igreja e lutamos para correspondermos a vontade de Deus para que Satanás não nos desvie da nossa escolha»[2]. Como ser cristão e ser missionário são sinónimos uma vez que são atitudes complementares do mesmo Espírito, assim também o Baptismo e a Confirmação, alimentados pela comunhão da Santa Eucaristia, são teologicamente inseparáveis, embora distintos, porque ambos constituem único e grande dom do mesmo Espírito, em vista da vivência plena e madura da filiação divina.
De acordo com o que nos disse o Senhor Guedes[3],o que lhe leva a permanecer na Igreja Católica é por causa da fé que ele tem em Jesus Cristo, e não só da catequese que recebeu durante a sua preparação e da uniformidade da própria Igreja. Ele reiterou ainda que não encontra os motivos suficientes que lhe possam abanar obrigando-o a abandonar a fé que decidiu abraçar e nem imagina em deixar a Igreja Mãe.
A partir do Baptismo e da Confirmação, o cristão se incorpora a Cristo e se torna membro da Igreja. A ser assim, a celebração dos Sacramentos de iniciação cristã devem despertar definitivamente a consciência para o verdadeiro significado do “ser cristão”, que se exprime e se plenifica diariamente no agir. O cristão pode nem deve fugir das responsabilidades temporais, pensando encontrar Deus num intimismo espiritualista, mas, à luz da fé, deve descobrir a presença de Deus no secular que o rodeia.

2. Infidelidade depois de recebidos os Sacramentos de Iniciação Cristã
Conforme referimos na nossa introdução, nas nossas comunidades cristã verifica-se dia após dia a afluência massiva na Igreja católica para receber os Sacramentos de Iniciação Cristã há uma desistência massiva depois da recepção dos mesmos. O mais impressionante ainda é que desde o catecumenado até os momentos preparativos dos mesmos Sacramentos todos os candidatos sentem aquelas motivações interior de crescer na fé. Mas o mais decepcionante é que depois de recebidos tais Sacramentos na maioria dos casos tudo passa, tudo termina, tudo acaba e vê-se aquela fé iniciar quase a desmoronar. Portanto, a mudança da religião para outra ou então de uma igreja para outra tem sido uma grande preocupação. E uma vez que o fenómino preocupa a todos, é tempo oportuno colmatarmos o problema. E um dos métodos para tal fim, é compreender o caso a partir da raiz inquerindo algumas pessoas sobre o porquê da desisdência depois de receberem os Sacramentos de Iniciação cristã. A falta duma fé suficiente no coração de muitos religiosos é uma questão que tem provocado muitas agitações no meio dos mesmos. Daqui surge a questão: “Porquê é que depois de receberem os Sacramentos de Iniciação Cristã alguns abandonam a Igreja?”.
Das múltiplas entrevistas que fizemos às diferentes pessoas sobre as motivações da permanência e mudança duma religião para outra ou duma igreja para outra os seus discursos centravam-se na questão do medo do sofrimento, morte e por estar a usufruir da beleza daquilo que se acredita através de uma fé firme respectivamente. Em outras palavras podemos afirmar que o pano de fundo do abandono é a questão de sincretismo religioso, ou seja, as pessoas pensam que a essência da religião e dos Sacramentos está nas suas convicções pessoais e particulares pensando que ela (a religião) é boa quando satisfaz as suas vontades ou os meus interesses. Pois, grande parte dessas pessoas vai a Igreja com uma certa ideia de um “Deus particular, atento aos seus interesses pessoais”, exigindo da comunidade uma conduta conforme os seus ideais. Aqui se enquadra o que nos disse a dona Lídia[4] que nos confessou ter passado em muitas seitas. Ela disse que recebeu Baptismo na Igreja Anglicana mas em criança porque sua mãe é que a levava para lá, isto nos anos 70. Depois de um período, mais ou menos aos 18 anos, sentiu que não estava no seu devido lugar sentindo-se obrigada a entrar na igreja nos Velhos Apóstolos, onde tanto dançavam porque é o que mais se faz.. Segundo ela, descobriu depois que o Deus que o seu coração desejava alí não se encontrava. Foi para a Igreja Univeral do Reino de Deus. Alí viu que era pior que as duas últimas igrejas, por si frentadas. A ser assim, parou alguns anos sem rezar e foi este período de silêncio, que apareceu o homem da sua vida, isto é, o seu marido, já babtizado e crismado na Igreja Católica que lhe motivou a ir na sua companhia. E descobriu que o seu Espírito tinha sede e desejo de Jesus Cristo, anunciado na Igreja Católica. Ela disse que foi admitida e reconhecida como baptizada, e casaram. E agora está se preparando para o Sacramento de Crisma ainda neste ano. Segundo ela algumas pessoas querem consolo, compreenção, etc. E quando não encontram o que querem, é lógico, que vão sempre a procura para ver na outra igreja se encontram ou não o que querem. Frisou ainda: «muitas das vezes, as pessoas têm um certo Deus desenhado nas suas cabeças além de que algumas seitas exploram os simples em nome de Deus. Isto verifiquei na Universal, quando lá fui, procurando também o meu Deus».
Nesse sentido, os que abandonam a Igreja alegam, na maioria dos casos a insatisfação das suas expectativas. Outros ainda põem a culpa na comunidade cristã como promotora de conflitos contra as mesmas pessoas, sentindo-se assim, rejeitadas e isoladas. Como se pode verificar, parece que falta uma fundamentação sólida da fé cristã. De facto, são muitos que chegam mesmo a afirmar que «saímos da nossa igreja porque na nossa vida não tínhamos sucesso, as doenças caracterizavam o nosso estilo de vida e agora todo o sofrimento converteu-se numa felicidade total»[5]. Outros ainda dizem que o que lhes motiva a sair de uma religião a outra é « a procura dos bens materiais casando com alguém de religião alheia»[6]. Isso significa que o casamento de pessoas com religiões diferentes faz com que em muitos dos casos uma parte mude da sua igreja seguindo ou o marido ou a esposa. Ainda outras pessoas murmuram de igreja em igreja dizendo que tenho um ano doente e agora estou sem expectativa de vida. Em tudo isto, verificamos que há uma falta de confiança no que se professa, daí a urgência da consolidação e aprofundamento da fé antes de receber os Sacramentos.
Segundo o Senhor Augusto[7] «a apostasia que se verifica no nosso país é um assunto sério e para isso a Igreja de Moçambique deve fazer alguma coisa. Há muitos irmãos nossos, que estão a vaguear por aí, com os sacramentos já recebidos». Segundo ele, o problema reside em ambas partes. A Igreja tem a sua culpa na medida em que alguns catequistas não se preparam devidamente para responder com eficácia as inquietações dos catequizandos e estes acabam ficando sem a base da doutrina fundamental da Igreja. Para os que saem também têm sua grande responsabilidade. Pois, estes não se interessam naquilo que é o essencial. Uns querem festa, outros desejam pura e simplesmente completar o número dos sacramentos.
Em conversa com a dona Farensa da Igreja União Baptista disse o seguinte:« saí da Igreja Católica por causa dos falsos testemunhos que davam alguns fiéis da comunidade paroquial inclusive alguns padres». Segundo ela, o que se prega em muitas Igrejas não é o que se vive na realidade, tornando-se assim o Evangelho de Jesus Cristo um “flactus voci”. Ela disse ainda que quando perdeu o marido foi proibida de comungar e ficou sem saber o que deveria fazer naquela altura. Ficar sem rezar para ela era uma decepção total. Então, achou por bem ingressar na igreja União Baptista onde foi recebida com toda ansiedade. Mas também afirmou que existem outros casos: «algumas pessoas depois de receberem os sacramentos acham que é tudo na vida deles».
O Senhor Tembe[8] também disse que os nossos Pastores (os Sacerdotes católicos), não dão um bom testemunho, nos últimos tempos tem se verificado escândalos de alguns Sacrdotes católicos, não têm o poder de curar como fazem os da Igreja Universal. Segundo ele os pastores da Igreja Universal tiram os espíritos impuros, ajudam as pessoas a terem uma vida feliz, a ter emprego. Estão preocupados com a cura das almas das pesoas e não só anunciar o Evangelho como fazem os Católicos. Disse ainda que a Igreja Católica tem muitas normas. Jesus não tinha normas tão complicadas, o importante é ouvir a Palavra de Deus, acreditando em Jesus Salvador.

Conclusão
Chegados ao fim do nosso trabalho constamos que há profunda inversão de valores fundada no materialismo individualista, consumismo, deteriorização de valores básicos e espirituais e a crise de valores morais, inversão essa que está na raiz dos que abandonam a Igreja depois de receberem os Sacramentos de Iniciação Cristã. E essa inversão constitui um mal que desafia o testemunho e a acção dos cristãos e de todos os homens de boa vontade. «E tudo isso faz saltar aos olhos o mistério do pecado»[9]. Para tal, a evangelização não pode contentar-se em mudar a superfície da realidade. Por esta razão o Papa João Paulo II afirma que «importa evangelizar, não de maneira decorativa, como que aplicando um verniz superficial, mas de maneira vital, em profundidade, e isto até às raízes»[10]. De facto, só através dos cristãos evangelicamente comprometidos, a Igreja vai se tornando cada vez mais, instrumento do Senhor segundo os valores do Reino. Portanto, a catequese de iniciação cristã deve propor o empenho efectivo, envolvente e comprometedor dos cristãos na construção do Reino, através da participação activa, consciente, evangélica e libertadora na vida da Igreja e da sociedade secular. A Igreja propõe aos que estão insatisfeitos, o que ela possui de melhor: dar «testemunho de Deus revelado em Jesus Cristo, pelo Espírito, anunciar a Boa Nova da salvação, gerar a fé, que é conversão do coração e da vida, levar ao seio da comunidadede dos fiéis os que dela são parte»[11].


Bibliografia
Fontes escritas:
GOEDERT, V. M., O Sacramento da Confirmação (Perspectivas teológico - pastorais), Edições Paulinas, São Paulo, 1989.

Fontes orais:
Dona FARENSA, da Igreja União Baptista
Dona LÍDIA, Cristã católica da Sé Catedral.
GLÓRIA, Maria da, Jovem do primeiro ano de Crisma, paróquia de São Pedro e São Paulo de Choupal.
MÁRIO, Mena, ex-solista da Igreja católica, baptizada e professante até mais que 10 anos, actualmente convertida para Igreja Universal.
Senhor AUGUSTO, Fiel católico da Sé Catedral.
Senhor GUEDES, Cristão católico e Guarda do Seminário Teológico Interdiocesano “S. Pio X” – Maputo.
Senhor TEMANE, católico e Coordenador do ministério de Catequese da comunidade de Inhagoia — Choupal.
Senhor TEMBE, da Igreja Universal.


[1] Valter Maurício GOEDERT, O Sacramento da Confirmação (Perspectivas teológico - pastorais), Edições Paulinas, São Paulo, 1989, p. 108.
[2] Senhor TEMANE, católico e Coordenador do ministério de Catequese da comunidade de Inhagoia- Choupal.
[3] Cristão católico e Guarda do Seminário Teológico Interdiocesano “S. Pio X” – Maputo.
[4] Cristã católica da Sé Catedral.
[5] Mena MÁRIO, ex-solista da Igreja católica, baptizada e professante até mais que 10 anos, actualmente convertida para Igreja Universal.
[6] Maria da GLÓRIA, Jovem do primeiro ano de Crisma, paróquia de São Pedro e São Paulo de Choupal.
[7] Fiel católico da Sé Catedral.
[8] Cristão da Igreja Universal.
[9] Valter Maurício GOEDERT, Op. Cit., p. 124.
[10] In Locus citatus (L. C).
[11] Valter Maurício GOEDERT, Op. Cit., p. 115.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

PERFEIÇÃO EM SÃO MATEUS


«Sede perfeitos como é perfeito o vosso Pai celeste» (MT 5,48)

 São Mateus

Conceito da Perfeição
Etimologicamente, a palavra perfeição vêm do latim, perfectio que significa «acabamento de uma coisa, de uma acção ou de uma ideia»[1]. Também significa consumação ou plenitude. Em suma, «perfeição é a plena realização»[2]. No entender da Santa Teresa, «perfeição é fazer tudo por amor, é fazer a vontade de Deus»[3]. Para muitos teólogos, alguém é perfeito quando «as suas virtudes materiais ou espirituais se encontram plenamente feitas ou realizadas»[4]. Entendida a perfeição como plena realização, conclui-se que quem a ostenta ontologicamente só é Deus. Pois, Ele é a suma perfeição. Daí que todo o homem criado à imagem semelhança de Deus, «é chamado a santidade»[5].

Perfeição em São Mateus
O Novo Testamento, contrariamente ao Antigo Testamento, atribui a perfeição a Deus. E quem bem fala do tema da perfeição é o evangelista Mateus. Ele usa o adjectivo "perfeito" (teleios), que aparece somente duas vezes em todo o Evangelho. Uma no 5 capítulo: «Sede perfeitos como vosso Pai celestial é perfeito» (Mt 5,48) e a outra no capítulo 19: «Se queres ser perfeito vai, vende o que tens […] depois, vens e segue-me» (Mt 19,21). Entretanto, Mateus não emprega o substantivo (perfeição).
Na óptica de Mateus, perfeito é aquele que se entrega ao mestre. E a adesão ao mestre deve ser total e incondicional. Ou seja, ela exige uma renúncia e uma total submissão a Deus. E um dos exemplos do apelo a renuncia é do jovem rico (Mt 19,21), que devido a sua riqueza não conseguiu desligar-se dela. E como consequência, sai pesaroso diante de Jesus. No entanto, Jesus ensina-nos que o homem não deve se dividir diante de Deus. O conhecimento teórico dos mandamentos deve passar à realidade, servindo ao próximo.
Por isso mesmo, os ricos devem-se desapegar dos muitos bens para possuírem os bens celestes (Mt 19,21). Fazendo assim, o homem se aproxima de Deus que é imperecível e incomensurável na bondade para todos os homens. Entretanto, «todos homens cultivam a mesma perfeição essencial nos múltiplos géneros de vida e de ocupações»[6]. E como é óbvio, «cada um deve realizá-la segundo os dons e funções que lhes são próprias, nas circunstâncias da vida»[7].
Comportando-se assim, a nossa adesão a Deus é completa. Por outro lado, para que o homem alcance frutos desejáveis, no caminho da perfeição é absolutamente recomendável que «Jesus Cristo seja o seu modelo e mestre da via»[8]. Alias, é Ele que nos convida e nos ordena: «sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5,48). Neste apelo, Jesus indica-nos o modelo a seguir que é o Pai. E ao mesmo tempo, Ele exige-nos que a nossa perfeição ultrapasse as barrareis materiais, sociais e culturais. Nesta busca da perfeição, o homem «recebe de Cristo o Espírito Santo que lhe move interiormente para a amar a Deus com todo o seu ser e capacidade» (Mt 22, 37).

Jesus e a perfeição
Para Mateus, a verdadeira perfeição só pode ser alcançada mediante «a nova orientação dada por Jesus Cristo, que se fundamenta na lei do amor»[9]. Este tipo de perfeição é fruto de um relacionamento com Deus. Pois, Ele é que é o Amor. Não obstante, «não se trata de preservar integridade, mas trata-se de dons de Deus, do amor de Deus que devem ser recebidos e difundidos»[10]. Mateus apresenta Jesus Cristo que se identifica com os pecadores, os acolhe e convive com eles, pois, não «são os que têm saúde que precisam de médico mas, sim os doentes» (Mt 9, 12)
Perfeição como amor
Mateus num contexto próprio, introduz a palavra amor na sua dimensão universal que bem se relaciona com a perfeição. E este amor que é a caridade universal estende-se aos inimigos. «Amai os vossos inimigos fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam […] Sede, pois, perfeitos, como perfeito é o vosso Pai celestial. (Mt 5, 44- 48). Mateus em sua óptica, o cristão deve amar os inimigos, pois se assim não fizer, nada faz de extraordinário. Porque os inimigos também amam os seus. A caridade é um vínculo de perfeição no seu ponto mais alto.

Conclusão
Depois de uma leitura exaustiva empreendida durante a pesquisa sobre o tema em epígrafe, é chegada a altura de concluir que «perfeição é a plena realização»[11]. E o modelo e mestre da perfeição é Jesus Cristo na Sua união Trinitária. Pois, Ele é que nos convida e nos ordena: «sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5,48). Além de nos apelar, Ele nos convida a amarmos a Deus e ao próximo inclusivelmente aos nossos inimigos, «amai os vossos inimigos fazei o bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos perseguem e caluniam» (Mt 5, 46).
Para que o homem alcance frutos desejáveis no caminho da perfeição é recomendável que Jesus Cristo seja o seu modelo e mestre nessa via. Alias, é Ele que nos chama e nos exorta: «sede perfeitos como o vosso Pai celeste é perfeito» (Mt 5,48). Neste apelo, Jesus indica-nos o modelo a seguir que é o Pai. Todavia, Ele exige-nos que a nossa perfeição ultrapasse as barrareis culturais, os limites dos egoísmos e de inimizades. Para que isto seja possível, o homem «recebe de Cristo o Espírito Santo que lhe move interiormente para a amar Deus com todo o seu ser e capacidade» (Mt 22, 37).

Bibliografia
CONCÍLIO VATICANO II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, (20. 10. 1965), Edições A.O. Braga, 20033.
FREITAS, C. Manuel. Enciclopédia Verbo, Luso-Brasileira de Cultura, Edições Século XXI, Editorial Verbo, Lisboa∕São Paulo, 2002.
CAVALCANTE, T.Pedro. Dicionário de santa Teresinha, Edições Paulus, São Paulo, 1997.


[2] Ibidem.
[4] Op. Cit p. 751.
[5] CONCÍLIO VATICANO II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, Edições A.O. Braga, 2003,39.
[6] CONCÍLIO VATICANO II, Constituição Dogmática Lumen Gentium, Edições A.O. Braga, 2003. 42.
[7] Manuel C. FREITAS, Enciclopédia Verbo, Luso-Brasileira de Cultura, Edições Século XXI, Editorial Verbo, Lisboa ∕ São Paulo, 2002, p. 753.
[8] Op. Cit.,LG. 40.
[9] Ibidem, p.756.
[10] Ibidem, p.766.
[11] Manuel C. FREITAS, Enciclopédia Verbo, Luso-Brasileira de Cultura, Edições Século XXI, Editorial Verbo, Lisboa∕São Paulo, 2002, p. 751.

sábado, 13 de agosto de 2011

BIOGRAFIA DE CARLOS EVARISTO JOSÉ






Aos que quiserem conhecer quem é Carlos Evaristo José, aqui estão algumas linhas que lhe identificam. É seminarista da Diocese de Gúruè, natural de Namarrói, distrito do mesmo nome. Nasceu no dia 04 de Agosto de 1985, em Namarrói, localidade de Mudine, zona de Inlugo, província da Zambézia. Filho de Evaristo José e de Emília Mucueliua, ambos camponses. É o segundo filho dos seus pais. Fez o seu ensino primário até a 4ª classe, desde 1993 a 1996, na escloa primária de Inlugo, sendo como seu primeiro mestre do alfabeto português, o professor Mesa, o então director da escola primária de Inlugo. Em 1997, fez a 5ª classe na escola primária de Posto Agrícola II, em Mocuba. De 1998 a 2000, fez a 6ª e a 7ª classes, respectivamente na escloa Primária e Completa Josina Machel de Mocuba. De 2001 a 2003, concluiu o ensino secundário, na escola Secundária e Pré-Universitária de Mocuba. De 2004 a 2006, fez o curso Propedêutico no Seminário Diocesano de Quelimane. De 2007 a 2009, concluiu com exilto o trienio formativo em Filosofia, no Seminário Interdiocesano de Santo Agostinho da Matola, Maputo. E em 2010 foi admitido a ingressar no Seminário Teológico Interdiocesano de São PioX de Maputo, onde actualmente se econtra a frequenter o 2º ano do curso.
Carlos, à semelhança de alguns, não teve o carinho amoroso do seu pai. Porque segundo os dizer da mãe, o seu pai, partira para uma longíqua terra, a procura de melhores condições de vida e, nunca mais se viu a regressar. Ficando a dúvida até agora sobre a sua existência. Cresceu graças ao trabalho árduo da sua saudosa mãe, que agora dorme o sono da Paz no Senhor. Como «uma roca não governa como a espada», segundo Eça de Queróis, as dificuldades na família onde Carlos nasceu não faltaram. Ainda em tenra idade, o que mais sabia, era despertar a meia noite, levar a enxada ir na companhia da mãe à machamba. Dona Emília foi a primeira dos nove irmãos a se tornar cristã. Ela como uma assídua cristã na oração, não popou forças em ensinar os seus dois filhos. É por isso messmo, que em 1994, Carlos recebeu o primeiro sacramento de iniciação cristã. E no ano seguinte recebeu a 1ª comunhão.
Carlos à semelhança do profeta Amós (7, 14), não é profeta nem filho de um profeta. Talvez a unica diferença com o profeta Amós é que Carlos foi cultivador de madioca e não de sicomoros. A sua grande paixão é a leitura de romances. O melhor romance que já leu é: A Filha do Capitão, de José Rodrigues do Santo. O seu prato perferido é gima como peixe temprado com amendoim, ai que delícia. A viagem mais longa da sua vida é a de Namarrói até Maputo. Ele admira-se tanto de todos os que sabem. O seu grande desejo é preparar-se para a vida...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

O HOMEM É JESUS NA SUA TENTAÇÃO


Uma reflexão da Antropologia Teológica

Introdução
Por definição, Antropologia Teológica é tida como discurso sobre o homem sob o ponto de vista do discurso sobre Deus. Ou seja, é a reflexão sobre o homem na sua condição hunmana e existencial, porém, à luz do discurso de Deus. Tendo como ponto partida esta definição, entende-se que o homem está constantimente à procura de se compreender quem ele é. Nessa busca, surpreende-se que ele não constitui o fundamento do seu ser homem. E Jesus é o verdadeiro homem no qual o ser humano encontra o seu verdadeiro sentido de ser homem. No entanto, uma vez que em Jesus se encontra o sentido do homem, e Ele foi tentado e, o homem na sua experiência humana enfrenta situações idênticas como as tentações de Jesus, então, o homem é Jesus na sua tentação. Portanto, este homem configurado no ser homem de Jesus é o objecto de reflexão neste trabalho. Ele centralizar-se-á mais nas tentações de Jesus seguindo o evangelista Lucas. O seu objectivo principal consiste em compreender até que ponto, as situações existenciais do género humano se resumem na vida de Jesus, enquanto homem tentado.

O homem é Jesus na sua tentação
A experiência diária do homem mostra que, desde que ele se tornou homem é confrontado por situaçõe de crise de várias ordens, sendo algumas delas de tipo existenciais, como por exemplo, a morte, a doença, a fome, a pobreza, etc. Nesta ordem de confrontos, muitas das vezes, cada dia que nasce é flagelado pela questão da fome que necessariamente deve ser saceiada. Diante das situações limites, o homem se questiona o porquê de todos os males e da morte? Onde deve estar Deus? Quem permite tais catastros que põem em causa a sua existência? O homem assim pensando acha que ele é o primeiro que experimenta tais situações.
Todavia, isto não constitui a verdade. Pois, Jesus na sua peregrinação na terra, foi tentado pelo diabo, segundo o Evangelho. E as tentações de Jesus resumem todas as situações existenciais do homem. Ou seja, as três tentações de Jesus resumem tudo aquilo que o homem encara durante a vida. Daí que Jesus por ser o primeiro homem a ser tentado e sair vitoriso da tentação, Ele é o Ecce Homo, isto é, o verdadeiro homem. Ou seja, o justo sem pecado. Uma vez que o homem na sua situação antropologica caminha pelos mesmos trilhos por onde Jesus passau, então, o homem é Jesus na sua tentação. E as três tentaçõe de Jesus resumem as possíveis tentações do género humano que às vezes servem de prova e de iniciação à vida diária do homem. Neste caso, Jesus tentado representa o homem na sua existencia. Ora vejamos as três tentações de Jesus.
1.      A tentação do pão
Nesta tentação Jesus mostra-nos que Ele é verdadeiro homem. Porque segundo o evangelista Lucas, Jesus teve fome depois de ter ficado um tempo sem comer (Lc 4,2). O ter fome é próprio do ser humano. A condição existencial humana está marcada pelo pão, pelo comer, e quando o pão falta, obviamente, o homem sente fome, necessita de comer, pois, está privado do essencial para a sobrevivência. Jesus como verdadeiro homem, também sentiu fome. Nesta ocasião em que Ele sente fome, o diabo aproxima-se e propõe-lhe a obtenção do pão de modo fácil. Obter o pão sem trabalho. Se Jesus tivesse transformado a pedra em pão, estaria a pôr em questão a dependência social. Quer dizer, cada indivíduo estaria virado só e só para si. O trabalho do outro não teria importância.
Muitas das vezes, o homem é tentando nas circunstâncias de dificuldade. Ou seja, no momento em que tanto precisa de algo. E a privação de algo necessário no momento em que tanto se precisa é oportunidade fértil para o tentador ou o diabo. Jesus apesar da fome não deu ouvidos ao diabo. Assim feito, Jesus saiu vitorioso da tentação diabólica. E a vitória de Jesus é também vitória de todo homem que não se deixa vencer pelo diabo.

2.      A tentação do poder
O diabo insatisfeito com a resposta de Jesus, na primeira tentação proprõe à Jesus outra oferta gratuita, o poder. Isto porque o poder é um outro ícone problemático na vida humana. Pois, o poder corrompe qualquer homem. E Jesus na sua condição de homem é apresentado pelo diabo a beleza dos reinos da terra, para se fascinar pelo esplendor dos mesmos. Jesus siente da sua condição de ser Filho e não Deus, da relação filial entre o Pai e o Filho, recusa em adorar ao diabo, com o intuito de ser poderoso. E Ele responde: «Só a Deus se presta culto» (Lc 4, 7).
Jesus verdadeiro homem ensina-nos que o poder sobre os outros com a intenção de possuir tudo num curto espaço de tempo, é negar a temporalidade, para só estar no presente, no já e no agora. E isto significa aniquilar a criação, pois é negar o tempo notório na criação. A ganância de ser poderoso sobre os outros é um dos males que muitos estados actualmente enfrentam. E Jesus ensina-nos que cada homem deve saber reconhecer o seu lugar. Não procurar dominar os outros com fins interesseiros.

3.      A tentação de desejar ser Deus
O diabo fracassado nas últimas duas tentações ele não se rende. Nesta tentação, o diabo põe em questão a filiação de Jesus, quando diz: «se é filho de Deus» (Lc 4,9). Esta tentação, nos apela a não tentarmos a Deus. Também nos revela a ideia da morte. Uma vez que Jesus é Filho de Deus, Ele muito bem podia fazer valer o seu poder de ser Deus Filho. Ou seja, Ele tinha o poder de mostrar ao diabo saltando decima para baixo sem se machucar para revelar o seu ser Filho de Deus. Mas Ele, não tenta ao Senhor.
O facto de ser Filho de Deus, não é a condição de usar desnecessariamente o poder divino. Nesta tentação Jesus apela-nos que o facto de ser cristão ou outra designação que seja, é condição fundamental de não morrer. Não. A morte é certa. O discípulo não está exento de morrer. A morte faz parte da codição humana. É morrendo que se salva. O ser Filho de Deus implica dependência e limitação. Daí que o Filho de Deus, o discípulo, o cristão deve lutar para manter o seu livre arbítrio. Isto é que significa ser Filho de Deus.

Conclusão
Antropologicamente, o homem torna-se homem por meio da iniciação. E a iniciação não é feita de mares de rosas, mas de duras batalhas da vida. Pois, o homem como finito, ele é dependente. Feita a descoberta de ser dependente e de nunca atingir a plenitude de homem, mas de constantemente de estar a se tornar homem cada dia que passa, percebe que na história dos homens, existiu, existe e existirá o verdadeiro homem: o Ecce Homo (Jesus), o qual Herodes se referiu. Ele é Jesus na sua tentação. Jesus é o verdadeiro homem. Como não bastasse, tornar se homem tem o seu preço que é a morte. Porque é morrendo que se deve salvar. Uma vez que a morte faz parte da condição humana, o homem tem que aceitá-la. Pois, mesmo Jesus que é o verdadeiro homem do qual cada homem como individualidade se inspira, pela morte passou para depois ressuscitar. Jesus não fugiu das tentações. Mas enfrentou-as e saiu vitorioso. Por causa da Sua vitória, Ele é o justo sem pecado. Nele, por Ele, e com Ele (Col 1,20) toda a humanidade tem a sua razão de ser. Daí o homem é Jesus na sua tentação.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

A CERMÓNIA DO LEITORADO 28.05.2011 PARÓQUIA DA POLANA

  Comunhão sub duas espécies
 Momento das leituras
 O momento de acção de graças
 Corte do bolo
 Período dos saborosos manjares
Recreação da turma dos estudantes de italiano e a professora
No fim da missa

HOMOSSEXUALIDADE



Introdução
Actualmente, não é possível ignorar o polémico problema do homossexualismo pois, eles mesmo apesar de serem a camada mais pequena se encarregam em incomodar o mundo inteiro para o reconhecimento dos seus direitos. Segundo as investigações dão a entender que o grau de prevalência deste problema a nível do mundo, é mais alto nos E.U.A. E chegou-se de se provar que lá há uma congregação religiosa que recebe o nome de «Os Oblatos de S. João (o discípulo predilecto)»[1]. Hoje como hoje, o problema dos homossexuais é muito discutido e é muito complexo. Como não bastasse, os órgãos de comunicação se encarregam em transmitir e mostrar informações e imagens que ilustram as pretensões dos gays, que é a de serem reconhecidos como uma classe social com direitos e deveres. Para boa compreender do problema, o trabalho obedecerá o seguinte esquema:
*      Conceito
*      Dados percentuais
*      Origem
*      Tipo
*      Homossexualismo é doença?
*      Terapia
*      Ética do comportamento homossexual
*      Posição da Igreja
*      Conclusão
*      Bibliografia


Homossexualidade é «a total realidade humana daquelas pessoas, cujo impulso sexual orienta-se para indivíduos do mesmo sexo»[2]. Homossexualidade é entendido em dois sentidos: o sentido geral e o estrito. No sentido geral, homossexualidade «designa toda a actividade nas quais o efeito de atracão e de estimação resulta de atractivos por pessoas do mesmo sexo»[3]. Enquanto que o sentido estrito, «homossexualidade se refere apenas ao contacto genital e ao prazer sexual»[4]. No entanto, quando se fala de homossexualidade é preciso fazer uma distinção entre Condição homossexual com os actos ou comportamentos periféricos de homossexuais.
Condição homossexual é a orientação inata do comportamento homossexual que se manifesta nos actos homossexuais. Na condição homossexual «alguém pode ser homossexual e não realizar actos homossexuais»[5]. Por outras, alguém pode ter tendências ou inclinações homossexuais profundas mas não se entregar obrigatoriamente às práticas homossexuais.
Actos ou comportamentos periféricos de homossexuais que são aqueles actos que não resultam de tendências profundas, não enraizadas no ser. Por exemplo, as práticas homossexuais durante a adolescência, nos internatos, quartéis ou nos navios. Em suma, no fenómeno homossexual há comportamentos realizados por alguém que é verdadeiramente homossexual e também há indivíduos que praticam actos homossexuais mas que são homossexuais.
Dados percentuais

Segundo Guindon, no seu capítulo sobre a homossexualidade escreve: «em cada seis homens um é mais homossexual do que heterossexual»[6]. E para resumir essa sua ideia, ele usa a seguinte expressão, the sixth men. E ele apresenta os seguintes cálculos: 4% de homem na vida inteira são homossexuais;
50% de homens têm um contacto homossexual pelo menos uma vez na vida.
13% de mulheres têm tido contactos homossexuais pelo menos uma vez na vida.
50% de mulheres casadas compensam os sentimentos homossexuais.
            Mediante a pesquisa feita na Holanda, revelou que 39.000 de homens têm tendências homossexuais e 56.000 de mulheres, também têm tendências homossexuais.

Uma das questões que frequentemente é colocada por muita gente quando se fala do Homossexualismo é a que diz respeito da origem; «qual seria a causa, a origem do homossexualismo?»[7]. Nesta pergunta, sente-se uma grande preocupação para quem a formula. E a resposta satisfatória para ela não tem sido fácil. Pois diversas teorias foram formuladas e nenhuma por si explica todas as formas. Contudo, de um modo geral, são apontadas três categorias que estão na origem do fenómeno homossexual: os factores fisiológicos, familiares e sociais.
Factor fisiológico para este ponto os autores deixam uma possibilidade aberta, pois, não há provas sobre o estudo genético hormonal e morfológico.
Factores familiares nesta categoria são apontados diversas situações que podem influenciarem a origem: uma mãe dominante e um pai apagado. Ela é castradora e impede o desenvolvimento do marido e o filho não encontra no pai facilidade de identificação. Uma supermãe que é tão envolvente e para o filho só há uma mulher. E por causa das severas proibições ela é vista como uma assexuada. A mãe frustrada no seu casamento com o marido incuti nas filhas que homem nenhum não presta. Um superpai que exige do filho uma virilidade acima das suas capacidades. Os pais que desejando uma filha nascem um filho, no qual projectam com toda a força frustrada.
Factores sociais para este ponto existem três aspectos: unissexismo, o anarquismo e a sedução. O unisseximo ocorre na forma de segregação ou igualitarismo quando pessoas do mesmo sexo são isoladas. Por exemplo, as cadeias, internatos, navios etc.
Anarquismo foi uma forma praticada pelos intelectuais anárquicos que defendiam a abolição de qualquer autoridade organizada.
Sedução por adultos quando um menor não estando preparado psicologicamente se mete com uma parceira adulta ficando depois traumatizada apesar do prazer e se refugia em buscar a vivência sexual menos angustiante. 

Falar de homossexualismo não é mesma coisa falar de transvestismo[8], muito menos é Transexualismo[9]. Homossexual é aquele (a) que «sente atracção erótico-sexual por parceiro do mesmo sexo»[10]. Segundo a Síndrome[11], há uma grande variedade de estruturas homossexuais, podendo se distinguir em: homoerotismo e a homofilia. Estas duas estruturas têm a ver com a prática de actos homossexuais. E quanto ao objecto desejado, existe também distinções:
1.      os que buscam simplesmente a gratificação sexual indiferenciada;
2.      a unissexualidade ou o culto comum do próprio sexo (lésbicas);
3.      inversão sexual, quando se assume o papel do outro sexo (activo-passivo),
4.      a pedofilia e a efebofilia: busca do feminismo.

Esta questão, quem respondeu pela primeira vez, foi o cientista Von Kraff-Ebing, na sua obra Psychopathia Sexualis (1870), «classificando o homossexualismo entre as psicopatias»[12]. M. Eck, por sua vez, considerou o homossexualismo como sendo «distúrbios mentais»[13]. Contudo, estas duas opiniões foram refutadas pela American Psychiatric Association (1975), que «riscou o homossexualismo do rolo dos distúrbios psiquiátricos»[14].
Freud escrevendo para uma mãe de um homossexual, disse: «ser homossexual certamente não é vantagem. Mas não há motivos de se envergonhar por isso. Tampouco é vício, nem degeneração»[15]. Para ele, a homossexualidade «não poder ser classificada como doença. Deve ser considerada como uma variante sexual, produzida por certa fixação do desenvolvimento sexual»[16]. Depois destas apreciações na opinião de Jaime Snoek a conclusão que se deve tirar é a seguinte: «o homossexualismo é uma anomalia, é uma estrutura que se afasta daquilo que deve ser, da norma, impedindo plenificação humana»[17].

Devido a complexidade do fenómeno homossexual, as tentativas terapêuticas para tal fenómeno não tem sido fácil. Segundo estudos feitos inerentes a anomalia, constataram que «a maioria dos homossexuais, no período da descoberta daria tudo se pudesse alterar a sua situação. Contundo, a chance de uma ajuda eficaz é duvidosa e de acesso limitado»[18]. Por outras, não é possível curar eficazmente a anomalia do homossexualismo. Portanto, a única coisa que as pessoas devem fazer é eliminar preconceitos reinantes contra os homossexuais, evitando perceber o homossexualismo como um vício, ou então, tentativa de reduzir o valor humano numa simples depravação genital.

Devido a dificuldade de resolver o problema da homossexualidade, levanta -se a questão de como os homens e as mulheres que possuem a síndroma de homossexual como devem se comportar? A resposta desta pergunta é respondida pela ética tradicional dizendo que os homossexuais nucleares para a sua vivência só «podem optar pela abstinência sublimando os seus impulsos sexuais»[19]. Contudo, as pessoas homossexuais não procedem mal, daí que dentro das suas limitações sexuais podem conviverem com as pessoas heterossexuais normalmente.

A Igreja Católica na voz do Catecismo no seu número 2357, diz: « os actos de homossexualidades são intrinsecamente desordenados»[20]. Eles são contrários à lei natural, fecham o acto sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade activa sexual. «Não podem, em caso nenhum, receber aprovação»[21].
Os homens e as mulheres com essa condição devem ser, acolhidos com respeito, com compaixão e delicadeza. Deve se evitar «qualquer sinal de discriminação injusta»[22]. Pois, estas pessoas são chamadas a realizar na sua vida a vontade de Deus e, se são cristãos, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar devido à sua condição. Os «homossexuais são chamadas à castidade pela virtude do autodomínio, educadora da liberdade interna»[23].
Os actos e os comportamentos homossexuais são avaliados pela Igreja como sendo «um pecado grave. Pois, são contrários à vontade divina. Porque a orientação procriadora é conforme a vontade de Deus»[24]. E, essa severa proibição se pode encontrar nas Bíblia, nas seguintes referências: Dt 23,1819; Lv 18,22 e 20,13; Jz 19,22-30; 1Re 14, 24.
Conclusão

Bibliografia

Jaime Snoek, Ensaios de Ética Sexual, a Sexualidade Humana, 4ª edição, Edições Paulinas, S. Paulo 1981.


[1] S. Jaime, Ensaios de Ética Sexual, a Sexualidade Humana, 4ª edição, Edições Paulinas, S. Paulo 1981, p.271.
[2] Apontamentos para o curso TS 16: Moral Sexual. Preparados pelo Pe. Addai, Maputo, 1998, p.73
[3]bdem ,p.73.
[4] Bdem, p.73.
[5] Bdem, p.74.
[6] S. Jaime, Ensaios de Ética Sexual, a Sexualidade Humana, 4ª edição, Edições Paulinas, S. Paulo 1981, p.272.
[7]Ibdem, p.274 .
[8]Transvestismo: adoptação do comportamento e uso de traje próprio de indivíduos do sexo oposto.
[9] Transexualismo: convicção de pertencer ao sexo oposto, acompanhada frequentemente pelo desejo de mudar de sexo.
[11] Síndrome: conjunto bem determinado de sintomas que não caracterizam necessariamente uma só afecção patológica.
[13] Ibdem, p.276.
[14] Ibdem, p.276.
[15]Ibdem, p. 276.
[16]Ibdem, p.276.
[17] Ibdem, p.277.
[18]Ibdem, p.281.
[20]CIC., 23 57.
[21] Ibdem, 23 57.
[22] Ibdem, 2358.
[23] Ibdem 2359.
[24] CIC., 2359.
[25] S. Jaime, Ensaios de Ética Sexual, a Sexualidade Humana, 4ª edição, Edições Paulinas, S. Paulo 1981,  p. 277.